sábado, 7 de novembro de 2009

FHC diz que não vai "baixar o nível" contra petistas e crítica indefinição no meio ambiente

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou neste sábado (6) que não está em campanha eleitoral e que evitará continuar o debate com petistas.

Em texto publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" no domingo passado, FHC traçou paralelos entre o governo atual e o do ditador argentino Juan Domingos Perón e afirmou que "pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do 'autoritarismo popular' vai minando o espírito da democracia constitucional".

Ontem à noite, o presidente Lula criticou o PSDB por treinar cabos eleitorais no Nordeste. A operação, segundo reportagem da "Folha de S.Paulo", com a previsão de gasto R$ 450 mil, o programa tem como meta o recrutamento e qualificação de mão-de-obra - voluntária ou contratada - para a campanha presidencial de 2010. "É um pouco o que o Hitler dizia, para os alemães pegarem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam", afirmou Lula, em discurso no 12º Congresso do PC do B, em São Paulo.

"Não quero entrar no baixo nível. Não estava falando de pessoas, estou falando de um sistema", disse FHC a jornalistas após conferência sobre governança em São Paulo. "Não vou ficar me alongando nesta discussão. Já disse tudo o que tinha a dizer sobre este assunto", completou.

Lula também afirmou no encontro do PC do B que tem "convicção absoluta" que FHC tinha certeza que seu governo seria "um fracasso" e que isso permitiria que o tucano retornasse ao poder. "É isso que magoa. Então, eu lamento, porque o mundo não deveria ser assim. A gente quando perde uma coisa, a gente tem que torcer para o outro fazer."

Em nota após o discurso, FHC disse que Lula age como um psiquiatra que interpreta sentimentos alheios e que sempre torceu para que o governo do petista desse certo.

O ex-presidente criticou, durante a conferência, a política ambiental do governo Lula. "Não cabe ao Brasil posições antiquadas do tipo 'eles sujaram, eles limpam'. Nós sujamos também", afirmou.

"O Brasil sempre teve posição de vanguarda no meio ambiente. Foi assim na negociação do protocolo de Kyoto. Teria sido mais positivo para Copenhague uma posição mais afirmativa", disse ele, referindo-se ao fato de o governo ainda não ter apresentado uma posição fechada para a próxima reunião sobre clima, na Dinamarca, ainda neste ano

Nenhum comentário: